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Devocional e na prática

Do esconderijo aos
braços do Pai

Por Pr. Hélder Rodrigues

Há guerras que vêm de fora. Golias se levanta, ruge, ameaça, intimida e tenta convencer o povo de Deus de que a derrota já está decretada. Mas há também guerras mais profundas, silenciosas e antigas. Guerras que não começam diante de nós, mas dentro de nós. Não é apenas o gigante no vale; é Adão no coração.

Em Gênesis 3, somos levados de volta ao jardim. Ali, a serpente seduz, distorce a verdade e semeia dúvida sobre a bondade de Deus. O pecado entra não apenas como desobediência, mas como ruptura da comunhão. O homem, criado para andar com Deus, agora se esconde de Deus. O lugar da comunhão torna-se lugar de fuga. O jardim do deleite torna-se esconderijo da culpa.

Quando os olhos de Adão e Eva se abriram, não se abriram para a glória, mas para a vergonha. Perceberam que estavam nus, costuraram folhas de figueira e tentaram cobrir com as próprias mãos aquilo que somente Deus poderia tratar com graça.

Desde então, o ser humano tenta fazer o mesmo: esconder a culpa, maquiar a vergonha, fugir do medo e culpar o outro pela própria queda.

Mas a voz de Deus ecoa no jardim: “Onde você está?”

Esta pergunta não nasce da falta de conhecimento de Deus, mas da graça que confronta o coração humano. Deus não chama Adão para esmagá-lo, mas para trazê-lo à verdade. Ele confronta o pecado, sim; disciplina com justiça, sim; mas também revela misericórdia. As folhas de figueira não poderiam cobrir a vergonha humana por muito tempo. Por isso, Deus cobre Adão e Eva com peles. Há ali um sinal profundo: o pecado exige morte, mas a graça aponta para substituição.

Aquela cobertura no Éden anuncia, ainda em sombra, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Em Cristo, Deus não apenas cobre nossa vergonha; Ele remove nossa culpa. Não apenas nos chama do esconderijo; Ele nos recebe nos braços do Pai.

Diante da culpa, Deus nos perdoa. “Agora, pois, já não existe nenhuma condenação para os que estão em Cristo Jesus.” Diante da vergonha, Deus nos aceita em Cristo. Ele nos conhece completamente e, ainda assim, nos recebe pela graça. Diante do medo, Deus nos ama como Pai. Não recebemos espírito de escravidão para vivermos outra vez atemorizados, mas o Espírito de adoção, pelo qual clamamos: Aba, Pai.

Por isso, não precisamos mais viver escondidos. A culpa não tem a palavra final, porque Deus nos perdoa. A vergonha não tem a palavra final, porque Deus nos aceita em Cristo. O medo não tem a palavra final, porque o Pai nos ama.

O pecado nos empurra para o esconderijo, mas a graça nos conduz de volta para casa. E, do esconderijo aos braços do Pai, cada passo é graça.

Pai beijando o bebê

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